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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Brasil Está Prestes a Comprar Armas de Uma das Empresas Mais Corruptas do Mundo

Autor: c2m
http://www.blogacorde.blogspot.com/
10 de fevereiro de 2011

Esta semana foi divulgado pelo site Space War, especializado em notícias da indústria militar e de armamentos, que o governo da presidente Dilma estaria próximo a um acordo para fornecimento de material bélico para expansão da linha de defesa naval do país, a fim de defender as reservas de petróleo e gás natural. Trata-se da aquisição de seis patrulhas e cinco ou seis fragatas Tipo-26, com um preço total de 2,9 bilhões de libras (4,475 bilhões de dólares), da empresa britânica BAE Systems,  conforme foi noticiado pelo jornal Folha de Sao Paulo.



O que preocupa é o rastro bilionário de corrupção e pagamentos de propinas que a empresa britânica tem em seu histórico, já que o Brasil tem uma tradição inigualável  nesta área, principalmente quando se trata de compras públicas, licitações e concorrências.

O mercado de armas é um dos mais promissores do mundo. Somente em 2008, as 100 maiores empresas fornecedoras de armamentos do mundo movimentaram £ 250 bilhoes (aproximadamente R$ 675 Bilhoes), o que representa um aumento de 12% em comparação ao ano anterior. Nada mau para um período em que as economias mundiais amargavam o ápice da crise econômica.

 Em Abril de 2010, a empresa britânica tornou-se o maior fornecedor de armamentos do mundo, com um faturamento anual de £21bilhões em vendas (aproximadamente R$ 42 Bilhoes), depois de ter fechado contratos de fornecimento de veículos anti-minas com o Pentágono, para utilização das operações no Afeganistão e Iraque, conforme reportagem do jornal britânico Daily Mail.

Com um quadro de funcionários que chega a mais de 100.000 pessoas, a empresa tem uma história ilustre, advinda das empresas que foram fundidas para sua criação, em 1999 - British Aerospace e GEC Marconi. Jatos Spitfire e rifles Lee Enfield são dois dos seus mais famosos produtos, mas nada se compara com os lendários aviões de passageiros Concorde, que são parte da história da aviação.

Entretanto, a própria empresa admite que eles "nem sempre atingem os mais altos padões de ética", como informa a BBC no perfil que publicou  da BAE.

Alguns meses antes de tornar-se a maior do mundo no setor, em Outubro de 2009, a empresa ocupou os noticiários do mundo inteiro com o escândalo que foi apurado pelo Serious Fraud Office- SFO (entidade do Governo Britânico que investiga e combate casos de fraude e corrupção), a respeito de acusações de que a BAE teria pago propinas para garantir contratos de fornecimento de armas para países da África e Leste Europeu.  Uma reportagem da BBC entitulada "BAE Enfrenta Acusações de Pagamento de Propina" ("BAE Systems Faces Bribery Charges" afirma que o SFO estava negociando com a BAE para que chegassem a um acordo de indenização a ser paga a título compensatório pela corrupção envolvida, e que tal valor poderia ficar entre £500 Milhões e £1 Bilhão (aproximadamente entre R$1,35 Bilhão e R$2,7 Bilhões). O Editor de negócios da BBC, Robert Peston disse que esta era "a mais explosiva investigação sobre uma empresa britânica que ele já havia visto".

Alguns meses mais tarde, em Fevereiro de 2010 no entanto, a BAE Systems fechou um acordo e conseguiu reduzir o valor das multas para a metade do que era inicialmente esperado, quando foi anunciado o valor total de  £286 Mihões (aproximadamente R$772 Milhões), sendo  £250 Milhoes aos Estados Unidos e  £30 Milhões a Grã-Bretanha, conforme reportagem da BBC.

Estes não foram os únicos casos de corrupção envolvendo a empresa. Em 2007 outro escândalo bilionário foi manchete em jornais em todo o mundo, quando o "The Guardian" divulgou que a BAE pagou £1 Bilhão ( aproximadamente R$2,7 Bilhões) de propina a um príncipe da Arábia Saudita.



Segundo a reportagem, a propina foi paga ao Príncipe Bandar através de uma série de transferências realizadas através de um banco americano em Washington, para uma conta controlada por um dos mais conhecidos membros da Família Real Saudita, que foi embaixador por 20 anos nos Estados Unidos. O jornal afirma ainda que a propina bilionária foi paga com conhecimento e autorização do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha.

Um dos mimos que a empresa que agora está prestes a fazer negócios com o Governo Dilma fez ao Príncipe Bandar foi um Airbus 340, especialmente pintado de prata e azul, cores do Dallas Cowboys, seu time de futebol americano do coração. O presente, de USD100 Milhões, teria sido entregue no dia de seu aniversário de 1998, conforme contam David Leigh e Rob Evans em reportagem do The Guardian de Junho de 2007, que ainda conta que o Rio de Janeiro é um dos destinos preferidos pelo príncipe, juntamente com Caribe, Casablanca e Honolulu.

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